Quarta-feira, 28 de Setembro de 2011

À Descoberta de Campo Maior

 

 

 

 

 

À DESCOBERTA DO “CAMPO MAIOR”

 

No decorrer de uma viagem por terras alentejanas, em finais de um tórrido mês de Agosto, parti à descoberta da Festa do Povo, em Campo Maior.

Em contraste com o pacato e sóbrio silêncio das ruas salpicadas de branco e azul, a vila amuralhada de Campo Maior sobressai ruidosa, festiva, toda multicolor, engalanada de alto a baixo.

Tal como no passado, aí é o povo quem mais ordena.

O povo decide quando quer fazer a sua festa e como deseja concretizá-la, num admirável esforço associativo.

Mas Campo Maior não tem só a bonita “Festa do Povo”. Devido às suas origens e posição de vila fronteiriça, tem também muita história para contar.

E é sobretudo isso, que muito resumidamente e em linhas gerais, pretendo compartilhar com os leitores.

Devo referir, que para além da observação directa e consulta de documentação local, foram utilizadas outras fontes de informação.

 

1 – SITUAÇÃO GEOGRÁFICA E DADOS GERAIS

A vila de Campo Maior situa-se no Alto Alentejo e pertence ao distrito de Portalegre.

É sede de concelho, desde o século XIII. Actualmente, abrange três freguesias, com nomenclatura religiosa: Freguesias de Nossa Senhora da Graça dos Degolados, de Nossa Senhora da Expectação e de S. João Baptista.

Ao contrário de algumas outras localidades alentejanas, a população tem vindo a aumentar progressivamente, rondando os 8.800 habitantes.

Campo Maior foi importante praça militar, em consequência da sua situação estratégica, na fronteira leste de Portugal com a Espanha.

Ao longo dos séculos, foi ocupada por diversos povos, nomeadamente, romanos, mouros, castelhanos, judeus e franceses.

 

2 – ORIGENS E EVOLUÇÃO HISTÓRICA

Campo Maior começou por ser uma povoação romana. E foi dominada por mouros, por muito tempo.

Mais tarde, em 1219, foi reconquistada por cavaleiros cristãos, da família Pérez, de Badajoz (Castela).

Em Maio de 1255, o rei D.Afonso X de Castela, eleva Campo Maior a vila.

Em 1260, é concedido o primeiro foral aos moradores de Campo Maior.

Em Maio de 1297, Campo Maior passa a fazer parte de Portugal, juntamente com Olivença e Ouguela, pelo Tratado de Alcanizes, assinado em Castela por D. Fernando IV, rei de Leão e Castela e pelo nosso rei D. Dinis.

Em 1512, o rei D. Manuel I concede novo foral à vila de Campo Maior.

No século XIX, a sublevação e resistência do povo contra a ocupação francesa e ainda as lutas entre liberais e absolutistas, são acontecimentos a destacar na história da secular vila de Campo Maior.

Actualmente, é uma interessante vila alentejana, tranquila e prazenteira, mas laboriosa. É de realçar o seu forte espírito associativo, manifestado sobretudo nas suas “Festas do Povo”.  

 

3 – LOCAIS DE INTERESSE TURÍSTICO

- Castelo de Campo Maior:

A primeira reconstrução do Castelo, de que se tem conhecimento, data do século XIV, por ordem do rei D. Dinis.

Mais tarde, nos séculos XVII e XVIII, torna-se numa importante praça-forte de Portugal, de defesa contra Castela. Com grande participação e presença de numerosas forças militares, a vila torna-se num importante centro militar do Alentejo.

No século XVIII, o Castelo foi reconstruído novamente por ordem de D. João V, após um grande incêndio, provocado por uma trovoada ocorrida em Setembro de 1732.

- Povoado Pré-Histórico de Santa Vitória:

Localiza-se entre Elvas e Campo Maior. Trata-se de um sítio arqueológico, cujas escavações descobriram monumentos megalíticos. Pertencem à época do Calcolítico, aproximadamente 3.000 anos  A.C.

- Cerca Medieval:

Abriga o centro histórico da vila.

- Igreja Matriz de Nossa Senhora da Expectação :

Construída em 1570, por vontade do povo. Com profusão de mármores brancos, vermelhos e pretos. Belos altares barrocos do século XVIII.

- Capela dos Ossos:

Foi construída em 1766.

- Museu de Arte Sacra:

Tem uma notável colecção de 150 peças relativas à vida de Jesus Cristo.

Este museu está instalado na antiga Capela de Nossa Senhora do Carmo.

- Lagar do Museu:

Situado no Palácio Visconde de Olivã.

- Museu do Café:

Apresenta a história do café e as fases da produção, desde a planta até chegar ao produto final.

O   museu está integrado nas instalações da fábrica “Nova Delta”.

- Museu Aberto de Campo Maior:

Conta a história do Concelho, desde as suas origens até à actualidade.

Encontra-se no edifício do “Assento”, do século XVIII.

- Palácio e Jardins do Palácio do Visconde de Olivã:

Palácio seiscentista de arquitectura barroca.

Integra também a Biblioteca Municipal.

-  Edifício dos Paços do Concelho:

Antigo palacete do século XVIII, situado na Praça da República.

 

4 – PRINCIPAIS FESTIVIDADES

A festa maior é, sem dúvida, a festa da flor, ou “Festas do Povo”, realizadas há mais de um século. Geralmente, ocorrem em finais de Agosto e princípios de Setembro, mas não em anos seguidos. Mais de cem ruas são enfeitadas com toneladas de flores de papel, pelos habitantes da vila.

Outra importante festa  é a “Feira Nacional de Olivicultura”. É realizada de dois em dois anos.

Refira-se ainda a tradicional Romaria a Nossa Senhora da Enxara. Realiza-se durante a Páscoa. Os romeiros deslocam-se para Enxara, perto da aldeia de Ouguela, na Sexta Feira Santa e regressam no domingo ou segunda feira de Páscoa.

Parta à descoberta de Campo Maior!

 

G. Manangao

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publicado por viajeiro às 23:26
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